Projecto Curricular de Escola 2010/2011 – “Crescer no Saber”
ALUNOS, FAMÍLIAS E ESCOLA A “CRESCER NO SABER”:
UM TEMA PARA APROFUNDAR E SOBRETUDO PARA APLICAR!
O desafio está lançado e a viagem já começou... Propomo-nos reflectir de forma aprofundada e continuada sobre uma temática transversal a toda a nossa vida. E, precisamente por isso, por que não começar por reflectir ainda individualmente sobre a temática deste ano? “CRESCER NO SABER – DISCIPLINA, COMPETÊNCIA E RESPONSABILIDADE!”
A temática remete desde logo para o aprender a aprender. Um dos objectivos mais importantes na educação será o de ajudar o aluno a tornar-se um aprendiz autónomo e auto-regulado, com ferramentas que lhe permitam enfrentar novas situações de aprendizagem não só no domínio escolar mas também nos diversos contextos de vida. Neste âmbito, importa promover o gosto intrínseco pela aprendizagem, o orgulho em saber cada vez mais – saborear o saber – promovendo uma verdadeira cultura do saber, do estudo, do trabalho, do esforço e da aprendizagem, numa óptica de formação integral de todos os envolvidos no processo educativo.
Com frequência ouvimos dizer que os alunos não sabem estudar, não gostam da escola, lêem deficientemente, escrevem com dificuldade, dedicam pouco tempo ao estudo e mesmo este tempo parece não ser bem rentabilizado… O aluno é confrontado com o desafio de aprender a estudar, pensar e reflectir sobre o que aprende e até sobre a importância do aprender, assumindo-se como o principal protagonista no processo de ensino-aprendizagem. Assim, autonomia é a palavra de ordem.
Um dos aspectos mais importantes na aprendizagem autónoma passa pela definição de objectivos. O aluno deverá ser capaz de formular objectivos para si próprio, que sejam específicos (e não vagos) e realistas. À medida que vai realizando as tarefas, o aluno deverá ser capaz de monitorizar o seu desempenho, avaliando no final até que ponto alcançou os seus objectivos e o que poderá fazer futuramente no sentido de corrigir eventuais discrepâncias entre os objectivos definidos inicialmente e os resultados efectivamente alcançados. Assim, podemos ajudar os nossos filhos a formularem objectivos, não apenas objectivos distais (e.g. seguir um determinado curso), mas também objectivos proximais (e.g. o que vai estudar concretamente em determinado momento).
A capacidade de antecipar e lidar com as dificuldades, de persistir na tarefa, não desistindo, é também fundamental. Nestas situações, o aluno é confrontado com o desafio de procurar diferentes alternativas no sentido de encontrar uma solução, lidando construtivamente com a frustração, que, como sabemos, se revela tão importante mais tarde na vida adulta.
Disciplina remete para a importância dos limites, do “não” (e não apenas do “sim”), do rigor e exigência associados à flexibilidade e paciência (uma vez que crescer é um processo gradual, que ocorre em diferentes etapas). Para crescermos precisamos de disciplina, de orientações, de bons exemplos, de oportunidades para pôr em prática o que estamos a aprender, caminhando no sentido da auto-disciplina, em que mesmo sem controlo externo somos capazes de controlar os nossos pensamentos, afectos e comportamentos.
Por outro lado, crescer no saber implica desenvolver competências, que podem ser pessoais, sociais, académicas. Podemos estar a falar, por exemplo, da capacidade de o aluno gerir o seu tempo, não adiando por sucessivas vezes a realização das tarefas, ou da capacidade de comunicar adequadamente com os outros, sejam eles pares ou adultos.
Responsabilidade é outra das palavras que compõem o tema. Pretendemos que o aluno assuma o seu compromisso com o estudar, que ele assuma um papel verdadeiramente activo no seu processo de aprendizagem, envolvendo-se de forma responsável em tudo o que diz respeito à sua aprendizagem.
Todos estamos em desenvolvimento! Não são apenas os alunos. Nós, pais, estamos também em constante aprendizagem. Os professores e demais profissionais estão também em desenvolvimento. Assim, o desafio é para todos: crescermos no saber, em conjunto, num caminho em que ensinar e aprender significa partilhar conhecimentos, experiências, significados. Aprender é algo que nos transforma e que nos permite transformar o mundo à nossa volta.
Podemos desde já assumir alguns aspectos como ponto de partida para o trabalho a levar a cabo ao longo do próximo ano.
Em primeiro lugar, queremos trabalhar não apenas dimensões cognitivas, como os conhecimentos, mas também competências, atitudes e valores. Ou seja, queremos de facto que os alunos cresçam em autonomia, aprendendo a aprender e a pensar, num quadro onde a dimensão do saber estar seja a base da construção das aprendizagens. A aprendizagem ocorre num contexto social, em interacção com professores, colegas, pais, entre outros, pelo que a escola e a família devem assumir-se como um palco para o exercício de competências e valores, que fomentem o desenvolvimento das crianças e jovens.
Por outro lado, percebemos que não faz sentido promover o crescer no saber se não acentuarmos a ligação já estreita entre a escola e a família, em que todos somos aprendentes e parceiros nesta descoberta.
Importa ainda salientar a importância de aliarmos diversos ingredientes no caminho a percorrer ao longo do próximo ano: a acção, através de oportunidades reais e estratégias concretas que promovam a mudança no sentido desejado; a formação/reflexão, momentos fundamentais para aprofundarmos os nossos conhecimentos sobre a temática, para trocarmos experiências e para reflectirmos sobre todo o processo; a investigação, numa lógica de construção do saber a partir de todo o percurso realizado e com todos os envolvidos; e, por fim, a relação, entre alunos, pais, professores e colaboradores não docentes, uma relação que se pretende aberta e colaborativa, onde haja lugar para a construção participada de uma verdadeira cultura do crescer no saber.
LUÍSA RIBEIRO TRIGO